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A nova ordem mundial na esteira da invasão da Venezuela por Trump

Por Paulo Castro

Não são poucos os analistas políticos que têm definido como o início de uma nova ordem mundial a decisão de Trump de depor o governo de Nicolás Maduro no último sábado (03/01). É inegável que o que ocorreu foi um ato de guerra e que se seguirão a ele outras semelhantes iniciativas bélicas como puro fruto da megalomania e do imperialismo sem limites de Donald Trump.

Não se trata de defender Nicolás Maduro, que é um ditador sanguinário, que mantém sua própria população em níveis de pauperização, mas se trata de debater até que ponto uma soberania nacional pode ser desconsiderada e suprimida, ainda que por argumentos válidos. A Doutrina Monroe não está entre tais argumentos.

A captura de Nicolás Maduro e a ameaça de anexação da Groenlândia reacenderam um debate antigo nas relações internacionais: estaria o mundo entrando em uma nova ordem global ou apenas atravessando mais uma fase de rearranjo de poder entre as grandes potências? Analistas afirmam que os episódios não inauguram um sistema totalmente novo, mas expõem com mais clareza uma transição em curso. O ponto central desse processo é o enfraquecimento das regras multilaterais que organizaram a política internacional desde o fim da Segunda Guerra.

O mundo vive uma transição, não uma ruptura súbita. Na teoria das relações internacionais, a chamada “ordem mundial” diz respeito à forma como o sistema internacional se organiza, reunindo estados, instituições, organismos multilaterais e normas que regulam o uso do poder. Essa configuração muda ao longo do tempo, mas raramente de maneira instantânea.

A ação dos EUA na Venezuela parece ser um sintoma, não o ponto de partida. Para muitos, o episódio deve ser lido como parte de um processo mais amplo, que traz uma pulverização do multilateralismo, uma vez que as políticas protecionistas unilaterais não reconhecem o direito internacional e assumem seu poderio bélico como argumento suficiente para o fim do debate.

Há tempos que as grandes potências atuam como se o direito internacional e as soberanias nacionais alheias não existissem. Estados Unidos, Rússia e China concentram hoje os principais instrumentos de poder militar, econômico e político. Cada uma delas tem testado seus limites regionais: Moscou na Ucrânia, Pequim no entorno do Mar do Sul da China e Washington no hemisfério ocidental, agora de forma explícita na América do Sul e na Groenlândia.

A ideia de esferas de influência voltou ao centro do debate. Há indícios de um redesenho informal do sistema internacional, no qual cada potência busca consolidar zonas prioritárias de influência.

O resultado é um sistema mais tenso e militarizado, cujo rearranjo não significa necessariamente uma guerra global iminente, mas pode ser a antessala dela para um futuro próximo.

Com informações do UOL

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