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Habemus papam americanum

Conclave elege o cardeal Robert Francis Prevost como o novo papa, Leão XIV. Analistas internacionais opinam que a escolha inédita de um papa norte-americano pode evidenciar uma reação contra a agenda da direita na geopolítica mundial e a eleição de Trump nos EUA

Por Paulo Castro

Após um conclave com duração recorde de apenas dois dias, nesta quinta-feira (08/05), o cardeal americano Robert Francis Prevost foi eleito o novo pontífice da Santa Sé. Natural de Chicago (EUA), o recém-eleito papa adotou o nome de Leão XIV e tem a desafiadora missão de suceder o louvável legado social deixado por Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco (1936-2025).

O atual pontífice da Igreja Católica traz uma perspectiva global para o papado, tendo servido como bispo no Peru e cardeal na Cúria Romana. Sua eleição marca um momento significativo na história da Igreja. Não por acaso, suas primeiras ações e declarações já indicam um pontificado focado em diálogo, unidade e atenção às questões sociais contemporâneas.

Analistas internacionais também destacam possivelmente, como fatores que pesaram na escolha, uma preocupação do Vaticano com os desafios da geopolítica mundial e uma pressão interna em reação à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Não é segredo que o papa Leão XIV é um crítico ferrenho à política doméstica e internacional de Trump, tendo já se posicionado contrariamente ao trato das questões ambientais e à política migratória do atual governo de seu país.

A jornalista conservadora norte-americana Laura Loomer escreveu, em um artigo, que o papa Leão XIV apresenta “evidências substanciais de que é fortemente contra o presidente Donald Trump e o movimento Make America Great Again [MAGA]”, uma vez que conta com um longo histórico de críticas contra a política de segurança do republicano. “Ele é anti-Trump, anti-MAGA, pró-fronteiras abertas e um marxista completo, como o papa Francisco. Os católicos não têm nada de bom para esperar. Só mais um fantoche marxista no Vaticano”, criticou Loomer, em seu perfil no X.

Por outro lado, analistas mais alinhados à doutrina social da Igreja Católica têm celebrado a eleição do novo pontífice como uma continuidade promissora do legado deixado pelo papa Francisco em relação à preocupação social e aos desmandos dos políticos em relação à marginalização e à miséria dos povos de todo o mundo.

Não por acaso, no Encontro Mundial dos Movimentos Populares com o Papa Francisco, realizado em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), em 2015, o então pontífice Jorge Bergoglio assim afirmou: “O futuro da humanidade não está somente nas mãos dos grandes líderes, das grandes potências e das elites. Está, sobretudo, nas mãos dos povos; na sua capacidade de organizar-se e, também, nas mãos que irrigam, com humildade e convicção, este processo de mudanças. Os povos do mundo querem ser artífices do seu próprio destino. Nenhum poder efetivamente constituído tem o direito de privar os países pobres do pleno exercício da sua soberania. Os pobres não só padecem a injustiça, mas também lutam contra ela! Basta de passividade à espera de soluções que venham de cima!”, clamou ele.

É uma postura assim em relação aos males sociais e à geopolítica mundial que os fiéis esperam do novo papa Leão XIV.

 

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