Observadores independentes internacionais relatam que oposição está correta ao denunciar manipulação da máquina estatal de Maduro, que o aponta como reeleito nas eleições na Venezuela
Poucas vezes, nos últimos anos, tantos olhos do mundo estiveram voltados com tanta atenção para uma eleição no continente sul-americano como agora, na Venezuela. Não apenas porque o Cone Sul é o espelho de inclinações opostas que têm sido percebidas não somente por aqui, mas também na Europa, na Ásia, no Oriente Médio, na África…
Enfim, cada vez mais, direitas e esquerdas dos mais variados matizes e das mais variegadas tendências têm se colocado em rota de colisão, o que evidencia um movimento mundial que deixa bem claro que o equilíbrio entre os extremos tende a ser pulverizado de vez. É o reflexo da contemporaneidade como nunca se viu antes de forma tão acerba.

Maduro: vitória de uma fraude aferida por observadores internacionais (foto: Reuters)
Todavia, tanta atenção por aqui se deve, principalmente, à constatação já prevista de uma continuidade, porque regimes de orientações opostas têm se sucedido no poder em alguns países da América do Sul, mas não na Venezuela, que desde 1999 (sim, 25 anos!) vive uma ditadura sob o regime do chavismo.
E mais: se depender das últimas eleições na pátria de Simón Bolívar, o regime vai continuar. Tudo porque, em 28 de julho, os venezuelanos votaram para escolher quem assumirá como titular do Executivo federal de seu país pelos próximos seis anos. No dia 2 de agosto, o conselho eleitoral, que é claro aliado do regime, confirmou a reeleição do presidente Nicolás Maduro, com 6.408.844 votos (51,95%), contra 5.326.104 votos (43,18%) do principal candidato da oposição, Edmundo González Urrutia. No dia seguinte, 29 de julho, o líder chavista se autodeclarou presidente reeleito.
Todavia, o conselho eleitoral não deu a devida publicidade democrática aos boletins de urnas e divulgou apenas dois deles. Sem acesso à totalidade dos dados oficiais e com acusações de fraude, a oposição divulgou os resultados de uma contagem paralela dos votos na internet, cujo resultado indica que González auferiu 67% dos votos, contra 30% de Maduro, tendo sido verificadas 24.532 (73%) do total de 30.026 atas. O que torna o resultado mais confiável é que observadores independentes tiveram acesso às atas apresentadas pelos correligionários de González e constataram que elas são autênticas.

Gonzáles: partidários contestam resultado oficial das eleições (foto: El Comercio/YouTube)
Dentre os observadores independentes está uma missão de observação eleitoral (MOE) com sede na Colômbia. A entidade é parte de uma plataforma de organizações da sociedade civil de âmbito mundial para a aferição da integridade eleitoral em diversos países. A referida MOE revisou as atas de votação das eleições presidenciais da Venezuela e confirmou o resultado divulgado pela oposição a Maduro.
Na sua aferição, a MOE checou a veracidade das atas de 100 desses documentos, com verificação manual. Para a contagem, considerou 21.952 registros, uma vez que os demais estavam em imagens de baixa resolução, o que não possibilitava a devida leitura. Assim, com 67,2% dos votos, a MOE confirmou a vitória de González em todos os departamentos (o equivalente a “estados” aqui) da Venezuela, enquanto Maduro contaria com a escolha de apenas 30,4% do eleitorado.
Aferição imparcial
A verificação da MOE foi realizada com dados disponibilizados em um QR code inscrito nas atas, que apresenta o local específico onde o voto foi depositado e o número de votos recebido por cada partido. A plataforma independente ainda conferiu as assinaturas presentes nos documentos. De acordo com o que solicitou a oposição e uma boa parte da comunidade internacional, a plataforma pediu que o governo venezuelano tornasse “pública a imagem digitalizada de cada um dos registos eleitorais […] para que se possa identificar se existem argumentos e evidências técnicas que permitam compreender o que aconteceu no âmbito desse processo eleitoral”.

Partidários de Maduro comemoram: país com um futuro incerto (foto: Gaby Oraa/Reuters)
A MOE, por fim, ressaltou a premência de “uma auditoria abrangente das linhas de transmissão de informações, bem como dos registros de segurança do processo”, além da “abertura e auditoria do código-fonte do sistema central de consolidação de informações”. A finalidade era a de identificar possíveis fraudes e “erros ou alterações na programação que possam fazer que os resultados sejam registrados incorretamente”.
Na última segunda-feira (05/08), diante de tantas evidências de fraude no sufrágio venezuelano, González se autodeclarou presidente, argumentando que, de acordo com um relatório da organização Centro Carter, as eleições na Venezuela não foram democráticas, porque não atendiam aos padrões internacionais.
Resta saber que destino os venezuelanos esperam de seu país, após 25 anos de um regime que deu sobejas mostras de isolamento antidemocrático, autoritarismo e incapacidade de suprir as necessidades mais básicas e elementares de seu povo.

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