Março de 1939. Ernest Hemingway vivia um período de efervescência e tensão. O autor estava no auge de seu dinamismo e paixão por causas políticas. Por isso, quando leu a Meditação XVII, escrita em 1624 pelo poeta e clérigo inglês John Donne, Hemingway viu ali o tom ideal que imaginava para uma nova obra que estava concebendo: “Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme… A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.
Em um trabalho febril, que o ocupou entre março de 1939 e julho de 1940, Hemingway enfim concluía o romance “Por Quem os Sinos Dobram”. A obra foi escrita em Cuba, no Wyoming e no estado de Idaho, nos EUA. O livro nasceu de suas vivências como correspondente na Guerra Civil Espanhola, refletindo seu fascínio pela solidariedade humana e pelo combate por causas que ele considerava dignas.
Junho de 2026. Estreia o espetáculo de Ópera Nova “Por Quem Os Sinos Dobram”, que fez sua estreia mundial na Sala Martins Pena no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília (DF). Apresentada pela International Brazilian Opera Company (IBOC) de New York City (NYC), a produção trouxe ao público de Brasília o conceito de Ópera Nova, novas obras mais atuais do que nunca. O impacto foi emocionante.
“Por Quem os Sinos Dobram” foi selecionada para desenvolvimento e apresentação pelo diretor artístico da IBOC, o compositor brasiliense João MacDowell, cuja trajetória alcançou reconhecimento internacional. MacDowell é um dos três únicos compositores brasileiros de ópera a ter recebido um recital do Metropolitan Opera, em Nova York, ao lado de Heitor Villa-Lobos e Carlos Gomes.

O compositor brasiliense João MacDowell: o bom filho à casa torna. Foto: Dan de Carvalho (divulgação)
A produção tem música lírica guiada por melodias do compositor norte-americano Brian Wilbur Grundstrom, com libreto de David M. Dorsen. Além disso, conta com dois artistas internacionais: o maestro norte-americano Jeffrey Dokken e o tenor sueco Michael Axelson. Embevecido com a virtuosidade do espetáculo, o jornalista Marcus Santos assim resumiu a beleza do que presenciou: “A fusão entre a coreografia envolvente, os efeitos visuais bem orquestrados e a execução musical irrepreensível desta ópera resulta em uma experiência estética coesa e profundamente impactante, em que cada elemento dialoga com o outro em refinada harmonia”.

Brian Wilbur Grundstrom: um Hemingway nunca visto antes. Foto: Athena Azevedo (divulgação)
Sob a direção de cena de Eliana Carneiro, “Por Quem os Sinos Dobram” conta a história de Robert Jordan, um jovem voluntário americano ligado a uma unidade guerrilheira republicana durante a Guerra Civil Espanhola. Com dinamite, ele é designado para detonar uma ponte durante um ataque à cidade de Segóvia.

Hemingway: romance sobre a Guerra Civil Espanhola. Foto: divulgação
No campo, Jordan se apaixona por Maria, uma jovem cuja vida foi destruída no início do conflito. As noções de honra de Jordan entram em conflito com as realidades da guerra. O espetáculo é apresentado em inglês, com legendas em português, e conta com um elenco de 21 atores e 29 instrumentistas.

Foto: YouTube (divulgação)
“Por Quem os Sinos Dobram” é realizada com Orquestra Filarmônica de Brasília, reforçando o compromisso conjunto com o fortalecimento do ecossistema cultural da cidade e a projeção de Brasília como polo de produção operística internacional. O apoio institucional é da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Com informações do site do espetáculo no Sympla

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