Presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da SBC explica por que sobrecargas emocionais elevam risco de hipertensão
Temas como ansiedade e estresse seguem em evidência e ganharam ainda mais relevância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que entrou em vigor recentemente, dia 26 de maio. A nova redação do Capítulo 1.5 reforça a necessidade de identificar, avaliar e gerenciar fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ampliando a atenção das empresas para os impactos da saúde mental no ambiente corporativo. No entanto, a mudança também levanta o debate para um aspecto frequentemente negligenciado: os efeitos dos riscos psicossociais sobre a saúde cardiovascular.
A presidente do Departamento de Hipertensão Arterial (DHA) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Erika Campana, destaca que fatores emocionais podem trazer consequências para o coração, especialmente para pessoas com hipertensão ou predisposição à doença. “A exposição prolongada a situações de pressão, sobrecarga e esgotamento emocional pode contribuir para o aumento da pressão arterial e elevar o risco de hipertensão, doença crônica que afeta quase 30% da população adulta do Brasil”, comenta.
Para a cardiologista, a atualização da NR-01 evidencia a compreensão de que saúde mental e saúde física caminham juntas e devem estar diretamente conectadas nas estratégias de prevenção e promoção do bem-estar no ambiente de trabalho. “A mudança reforça a importância de as empresas adotarem uma abordagem mais ampla em relação à saúde dos colaboradores, incorporando iniciativas que estimulem a prática de atividades físicas e ampliem o acesso a suporte e orientação psicossocial”, conclui.

Foto: Sociedade Brasileira de Cardiologia (divulgação)
Quando uma pessoa está submetida a níveis elevados e persistentes de cargas emocionais, o organismo permanece em estado de alerta, liberando hormônios como adrenalina e cortisol “Entre os sinais que podem indicar o impacto dos fatores psicossociais estão elevações frequentes da pressão arterial, palpitações, aceleração dos batimentos cardíacos, dores de cabeça, fadiga constante, dificuldade para dormir e sensação de tensão permanente. Em longo prazo, esse estado pode favorecer o desenvolvimento ou agravamento de doenças cardiovasculares”, explica a dra. Campana.
Prevenção além do trabalho: cuidando da pressão arterial
A adoção de hábitos saudáveis é considerada uma das principais estratégias para o controle do estresse crônico e da ansiedade. Segundo os médicos especialistas do Departamento de Hipertensão Arterial da SBC, essas mudanças no estilo de vida também têm impacto direto no controle da pressão arterial, sendo fundamentais na prevenção e no manejo da hipertensão.
“É importante a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada com controle do consumo de sal e alimentos ultraprocessados, noites de sono de qualidade e momentos de lazer”, completa a presidente do DHA.
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